
“Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei e irei ter com meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores” (Lc 15:17-18).
O pródigo finalmente acorda de seu pesadelo. Depois de muita insanidade e loucura, cai em si. Começa a pensar de modo razoável e objetivo. Certo provérbio talmúdico resume bem essa história: ’’Quando um filho (que saiu de casa), tem de andar descalço (por causa da pobreza), então lembra quão bem vinha sendo tratado na casa do pai”. Tal constatação se deu com o pródigo. Mas, o rapaz que estava fora de casa e fora de si, acorda. Acorda pensando no pai e suas boas lembranças o ajudam a retornar para casa. Em sua desgraça, o mancebo lembra do pai, com saudade, reconhecendo que ele é um homem previdente. Disse: “Os trabalhadores de meu pai têm”. Não há dúvida de que o pai é trabalhador. Tinha abundância em casa, porque trabalhava. Havia construido uma rica fazenda, onde empregava muitos trabalhadores. Mais que isso: é um patrão generoso com os empregados. Sua casa é um lugar de fartura, onde todos poderiam comer e se fartar. Não é mesquinho com alimento. Sua casa é um lugar onde se come bem. O filho desbragado, no mundo, confessa que em sua casa havia ”pão com fartura”. A palavra fartura indica outra qualidade desse homem: é alguém generoso, até com os de fora. Se trata assim os servos, o que dizer dos filhos?! A lembrança devia martirizar ainda mais o rapaz pródigo e faminto, à beira do chiqueiro de porcos, desejando comer suas lavagens. Se arrependimento matasse, aquele jovem era alguém morto.
Mas, as lembranças paternas o ajudam a voltar para casa. “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai”, resolveu o moço. Estas palavras de decisão acabam revelando mais qualidades de seu pai anônimo. O filho o considera alguém capaz de relevar os erros dos filhos. Tinha expectativa de que seria perdoado, mesmo tendo cometido faltas graves. É certo que não via possibilidade de voltar a ser filho, mesmo que ainda trate o pai como pai, acreditava que o pai lhe daria trabalho na fazenda. Cria que podia voltar, porque seu pai não é vingativo, ressentido ou destemperado. É surpreendente que todas as esperanças do moço se realizam, numa medida além do que imaginava. Ao voltar, o pai se mostra compadecido da condição deplorável do filho. Apesar da sua idade, corre, abraça e beija o filho repetidas vezes. As providências seguintes também revelam o tamanho do seu grande coração. Manda trazer logo a melhor roupa, a mesma que era usada pelos príncipes e hóspedes notáveis. O moço que vestia trapos, recebe vestes de justiça e de louvor (Is 61:1-3). O moço também passa a usar um anel no dedo esquerdo, (anel no dedo direito era considerado um gesto efeminado) e sandálias nos pés, os quais indicam sua nova e distinguida posição. Os acontecimentos a seguir confirmam que esse pai é mesmo generoso e perdoador. Ele ainda faz festa para celebrar o novo momento da família, atitude que é censurada pelo filho mais velho, que ao voltar do campo, ouve as músicas e as danças, vindo a protestar contra o pai, contra o irmão e contra a alegre recepção. Nesse contexto, o pai revela outra qualidade: mostra-se pacificador dos filhos.
Nesse dia dos pais, quero desafiá-lo a seguir os passos desse pai da parábola de Cristo. Desafio você a ser um pai previdente, conciliador dos filhos, generoso e perdoador. Um pai de quem o filho vai ter boas lembranças e saudade, quando estiver longe. Feliz Dia dos Pais.
Pr. Antônio Paulo.
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Papai, saudades... Pela graça não estou na situação do filho pródigo... Mas também sinto falta da casa do meu pai. Se eu me tornar 10% do homem que você é, estarei feliz...
Te amo.
seu filho.









